Discurso na Shape the World Conference 2018 By Lawrence Chong

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Bom dia Parceiros e Amigos, sejam bem vindos ao Shape the World 2018. Eu agradeço a Mark e sua equipe na DesignSingapore por trabalharem com a CPG e conosco para fazer isso acontecer. Obrigado DesignSingapore por acreditar no que estamos tentando alcançar.

Uma vez na reunião anual de acionistas da Berkshire, um jovem de 14 anos perguntou a Warren Buffett que conselho daria a um jovem sobre como ser bem-sucedido. E o oráculo de Omaha respondeu:

“É melhor sair com pessoas melhores que você. Escolha os associados cujo comportamento é melhor que o seu e você vai nessa direção.”

Esta citação de Warren Buffett resume a multidão que tentamos reunir em cada conferência Shape the World desde 2005. Procuramos atrair pessoas excepcionais, pessoas de competência e integridade. Para que possamos concretamente discutir, debater e desenvolver soluções que possam moldar um mundo melhor. Este ano, nosso foco está no espaço das cidades inteligentes.

Mark começou esta manhã com uma apresentação maravilhosa sobre a necessidade de moldar cidades de significado e, em seguida, Shao Yen nos ajudou a perceber o que significa entregar soluções que funcionam, como podemos ter certeza de que eles são acessíveis, acessíveis e escaláveis. Eu gostaria que nós considerássemos um pouco mais o propósito do movimento Cidades Inteligentes, questionar seus motivos e nossa intenção coletiva para alcançar o impacto.

Alguns de vocês sabem que a Consulus faz parte de uma rede global para contribuir com um sistema econômico mais inclusivo, chamado Economia de Comunhão (EdC). No ano passado, como parte das celebrações do 25º aniversário da EdC, houve uma conferência em Roma.

Foi uma ocasião alegre, e eu estava esperando que o Papa Francisco nos encorajasse com as palavras de costume, para nos ajudar a ir em frente. Mas ele fez mais do que isso, ele disse:

“A economia da comunhão, se quiser ser fiel ao seu carisma, deve não apenas cuidar das vítimas, mas construir um sistema onde haja cada vez menos. E que, se possível já não haja mais vítimas. Enquanto a economia ainda produz uma única vítima, e ainda haja uma única pessoa descartada, a comunhão ainda não terá se concretizado, e a celebração da fraternidade universal não estará completa. Portanto, devemos trabalhar para mudar as regras do jogo do sistema socioeconômico. Imitar o bom samaritano, do Evangelho, não é suficiente”

Quando ele disse isso, soou para mim como um alerta existencial, e impôs a mim e aos meus colegas uma reflexão de nossas ações, e como podemos fazer mais, especialmente para as vítimas que serão afetadas pelas crises urbanas e econômicas.

Desde então, estamos numa jornada de transformação, para nos certificarmos de que nos posicionaremos melhor para interferir positivamente nas mudanças. Primeiro, sentimos que precisávamos encontrar uma maneira de influenciar futuros líderes, no modo como pensam e moldam as estratégias econômicas. Por isso, assinamos uma parceria com uma universidade na Toscana, para levar líderes para um programa de cinco dias, e ajudá-los a discernirem sobre seus papéis, numa era de disrupção, e reformular seus modelos de liderança pessoal. Em setembro (2018), teremos a primeira turma.

Então, em novembro do ano passado,

enquanto eu estava em São Paulo, junto com meus colegas na América Latina, após compartilhar sobre nosso trabalho em ajudar empresas a encontrar um propósito antes da transformação, um dos presentes no evento veio até mim e disse:

“Lawrence, o que você disse sobre propósito é essencial, e muito necessário ao Brasil. Saiba que, no momento em que você falava sobre propósito, meu filho me enviou uma mensagem de texto, para dizer: “pai, eu não estou mais usando drogas, mas ainda assim preciso encontrar meu propósito.”

Isso deixou uma marca profunda em mim, e entendi que temos que pensar numa maneira de ajudar indivíduos e microempresas a encontrarem seu propósito, e a se transformarem para estarem preparados para a próxima ruptura econômica. Assim, após 6 meses de desenvolvimento, lançamos o programa Brasil 4.0 em conjunto com a Associação de EdC local, para ajudar indivíduos e microempresas a definirem seu papel, e transformarem a si mesmos e aos seus modelos de negócios para a nova economia.

De volta à ASEAN (ASEAN é uma organização intergovernamental regional, que compreende dez países do Sudeste Asiático, que incluem Thailand, Indonesia, Vietnam, Malaysia, Singapore, Philippines, Myanmar, Cambodia, Laos and Brunei), nossa região de origem, é aqui que podemos ter o maior e mais incrível impacto. Temos a sorte de ter grandes e velhos amigos nos negócios; muitos de vocês estão aqui nesta sala. Com a CPG, temos trabalhado juntos desde 2004. E ao longo dos anos, por meio de projetos de aeroportos, instalações de segurança e agora cidades inteligentes, construímos um incrível nível de confiança entre nós e, acima de tudo, em detrimento de sermos de diferentes disciplinas e competências, podemos operar muito bem juntos.

Mas o que é competência e capacidade de realização, se não podemos aplicá-las para o bem? O que é poder, se não pudermos moldar o mundo para melhor? Eu acredito que Shao Yen concordaria que fomos abençoados com clientes bons e esclarecidos, clientes que querem fazer projetos significativos. Basta olhar em volta desta sala, para vermos funcionários do governo que moldam a política, desenvolvedores, formadores de opinião, parceiros e profissionais de alto nível. Coletivamente, estamos trabalhando em 20 países ao mesmo tempo, cobrindo as principais regiões econômicas.

Então, a questão é qual o propósito do movimento Smart Cities or Nations. É uma vitrine de inovação ou a busca de solução para problemas existenciais? Acredito que, se o objetivo das Cidades Inteligentes ou da Nação, não for fornecer soluções que reduzam a desigualdade, a pobreza, o abuso de recursos e aumentem a representatividade, então não é nada “inteligente”.

É uma questão que a CPG e nós estamos constantemente nos perguntando, quando iniciamos o processo de PlaceCORE, nosso método compartilhado de transformar cidades ou bairros.

Que impacto podemos alcançar em um plano para moldar o desenvolvimento sustentável? Como isso irá afetar empregos e oportunidades? Como moldar projetos que não sejam elaborados apenas para inflar o ego ou alimentar vaidade, mas que possam agregar valor relacional? E acima de tudo, para proporcionar a interconectividade de todas as coisas? E quando você coloca um desenvolvedor, um arquiteto, um estrategista de negócios e um designer de identidade de marca em uma sala, e você tem essas conversas,a inovação torna-se relacional porque veio de um propósito existencial. Isso se dá por meio de uma profunda compreensão do tipo de relações, de pessoas e de questões que serão necessárias para, unidas realizarem este trabalho.

Na Consulus, temos conversado sobre inovação relacional já há algum tempo. Discutimos como podemos praticar melhor a inovação relacional. O primeiro passo é se colocar na situação da pessoa a quem você procura servir. E no caso das Cidades Inteligentes, muitas vezes tento sentir as diferentes situações que ocorrem nas cidades. A pessoa que está sozinha, talvez até mesmo sem-teto; ou uma pessoa sem senso de pertencimento e de identidade, devido à sua raça ou religião ser diferente; ou o jovem que procura oportunidade; ou os idosos que procuram recuperar a sua dignidade enquanto a energia se desvanece. Isso ajuda a colocar as coisas em perspectiva, para que não nos deixemos levar por nossos próprios pensamentos, sem um vínculo relacional. Isso, então, dá propósito à estratégia.

Então, o segundo passo para a inovação relacional é identificar a unidade necessária para ter êxito. Eu faço isso vendo o arquiteto não como um outro, mas como uma pessoa necessária nesta equação. Eu adoto uma visão do desenvolvedor, não como cliente, mas como uma pessoa, com sua identidade e suas crenças, que são importantes para mim, quando considero minhas propostas.

Então, o terceiro passo para a inovação relacional é moldar soluções catalíticas. Como esta solução pode ter um efeito catalítico para gerar bens relacionais? Portanto, mesmo que trabalhemos em um lugar pequeno, como isso poderá impactar a cidade inteira, de maneira positiva, em termos de inspirar ações positivas e inovação?

Saradise é um projeto em que a CPG e nós trabalhamos por vários anos. Dato Chris e Dylan estão aqui conosco, e eles compartilharão mais sobre o projeto, logo mais. Mas já antecipo que essa abordagem de inovação relacional nos ajudou muito.

Como em outros desenvolvimentos ou projetos na ASEAN, nos quais temos uma prática de longa data, de perguntar à comunidade o que eles pensam, por meio de suas histórias. Começamos o projeto, não assumindo que conhecemos os problemas em Kuching, mas perguntando ao povo de Kuching o que esse lugar significava para eles.

Por meio desse concurso de coleta de histórias, aprendemos muito sobre as aspirações das pessoas que nos ajudaram como equipe: planejadores, arquitetos, desenvolvedores, consultores de gestão e branding, para moldar o município, que é inclusivo por design. Lá, não somos CPG ou Consulus, mas uma equipe da Saradise para o povo de Sarawak.

Como você sabe, Sarawak é um lugar muito diversificado, com uma multiplicidade de tribos, línguas e crenças. Por isso é interessante ver como Saradise Kuching, a cidade inteligente, está unindo a comunidade por meio das artes, da ecologia e de uma identidade integrada. Nós havíamos idealizado inicialmente que o lugar seria o novo batimento cardíaco de Kuching, e agora, de fato é.

Amigos, ainda temos muito a fazer, e na situação da ASEAN, com sua multiplicidade de identidades, idiomas, crenças e formas de fazer as coisas, precisamos de uma abordagem mais relevante e relacional para os desafios e oportunidades. Então, permitam-me apresentar algumas questões para sua consideração ao iniciarmos a sessão de hoje:

1) Muitas cidades estão superlotadas. Então é sensato ser tão centrados em cidades como soluções? Como podemos considerar os subúrbios e até as aldeias, como parte de uma estratégia mais ampla? Como podemos aliviar o estresse de nossas cidades, que estão lutando para lidar com o aumento da população e do custo de vida?

2) A ASEAN tem uma rica tapeçaria de cultura e crenças. Então, como podemos refletir isso à medida em que moldamos as identidades das iniciativas de cidades inteligentes? Agora mesmo, a identidade e a comunicação tendem a ser distorcidas em relação à tecnologia. Então podemos incluir stakeholders, líderes religiosos e comunitários para discutirmos juntos, para que não pareça tão estranho para eles.

3) A ASEAN tem uma das populações mais jovens do mundo, e os projetos de cidades inteligentes são para o futuro. Mas parece que nos apressamos com muitos planos, para o desenvolvimento de cidades inteligentes, sem dar tempo para eles e sem envolvê-los. Isso pode explicar por que os jovens não estão tão empolgados quanto estão os governos, os desenvolvedores e os consultores sobre as Cidades Inteligentes.

4) Por último, como as nossas cidades inteligentes podem ajudar a contribuir para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e reduzir a desigualdade? Como podemos viabilizar habitações acessíveis, não como um apêndice, mas integrando-as à comunidade, por meio de um bom design.

Ao fazermos nosso trabalho no conforto de nossos escritórios, lembremo-nos daqueles sem teto sobre suas cabeças. À medida em que desfrutamos de nossa comida, no curso de nossas viagens de trabalho, lembremo-nos dos milhares que não têm a certeza de uma refeição.

Com as habilidades e o poder com os quais fomos abençoados, precisamos ser capazes de olhar nos olhos dos desabrigados, dos famintos, e dos cansados, cônscios de que estamos fazendo nosso melhor para moldar um mundo digno para eles.

Como consultores, líderes empresariais e funcionários públicos, precisamos trabalhar juntos, e também nos responsabilizarmos uns com os outros, para evoluirmos ainda mais em nosso trabalho coletivo, para gerar receita e também melhorar consistentemente a vida das pessoas e o meio ambiente. É importante ter presente que lucro e propósito podem coexistir, e não precisam conflitar.

Por fim, compartilho algo com vocês. Há duas semanas atrás, como era o Dia dos Pais (Em Cingapura, é comemorado em junho), decidi trazer minha filha de 3 anos para um passeio de bicicleta, no meu bairro. Foi a primeira vez que fizemos isso, e foi uma bela experiência. Passamos de bicicleta por lindas vias: eu podia parar no caminho para deixá-la brincar em diferentes playgrounds, e parar um momento para tomar sorvete. Os jardins são lindos e há muitas ciclovias sombreadas por uma vegetação luxuriante. Como minha filha estava entretida com o seu sorvete, eu voltei meus pensamentos para esse ideal que todos nós aqui estamos tentando realizar. Certamente, ao longo do nosso passeio, enquanto pedalávamos, havia tecnologia, mas esta não era visível. O que era de fato visível era o esmero com que o espaço foi projetado, para ser sustentável e compartilhado. Então, é isso que desejo para todas as cidades nas quais estamos trabalhando. Que nossas soluções inteligentes ajudem a moldar vidas de modo significativo, para que nossas crianças e seus filhos vivam em cidades sustentáveis e compartilhadas, onde se sintam bem-vindas e amadas.

Obrigado!